outubro 14, 2012

49.

a comichão do cérebro desapareceu. Tiraste-ma. Levaste-a daqui para fora. A comichão do meu cérebro desapareceu. E agora acredita que foi de vez, com força, porque te prefiro à comichão no cérebro. À falta de jeito. Prefiro-te à realidade dolorosa dos outros. Aos sermões dos outros de que não és para mim. À falta de cuidado de mim. Prefiro-te ao descuido, à estupidez e à ingenuidade. Prefiro-te porque não gosto da comichão do cérebro. Não gosto. Pronto. Gosto é de ti. Do estares aqui. Ao fundo da rua. No meio da pista. À distância de um sorriso e de um elogio. Gosto disso. Prefiro-te à falta de amor. De sexo. Prefiro-te a ti. Ao teu jeito de mão a agarrar-me na cintura. Aos teus braços fortes. Ao teu andar para o Norte. Prefiro-te. E agora que a comichão do cérebro desapareceu não me faças mais dizer que te prefiro. Não visto azul por acaso.


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