outubro 03, 2010

sapos à chuva


Pára. Pára. Pára aí mesmo. Acabei de ter uma visão. Lembras-te daquela rapariga que escrevia, escrevia sem parar mas nunca públicou um livro? Acabei de a ver. Ela continua com aquele pequeno caderno nos braços e continua a carregar a caneta antiga no bolso das calças. Lembro-me de um texto que ela escreveu. As palavras dirigidas a um homem desconhecido. Não percebi quem era. Sabia que era alguém que ela outrora amara, mas sim eles agora estão juntos. Todas as palavras de desejo concretizaram-se e eles agora abraçam-se no meio da chuva turbulenta que cai lá fora. Não há sexo barato. Não existem beijos e abraços de esquina.
Existe verdadeiro amor. Sim um amor daqueles eu consigo distinguir. Já pensava que não existiam relações assim. Há muito tempo que um homem tão expontâneo e capaz de nos surpreender não se cruzava no caminho dela e agora consigo distinguir os dedos deles molhados tocarem suavemente nos lábios carnudos dela e ela lança uma gargalhada para o ar, abrindo os braços. Eles são livres. Sim. Eles abraçam-se sem compromisso no meio da rua e não se deixam atropelar pelas novas convenções dos políticos do amor.
Sim. É tão nítido agora. Consigo ver tudo. Consigo perceber que tipo de amor é aquele. É um amor saudável, expectante e um amor onde o sexo existe no amor. Onde duas se amam uma na outra.Pertencem-se mesmo sem terem consciência disso. É por isso que dizem que a ignorância traz felicidade.
São ignorantes felizes aqueles.


Savin' me- Nickleback

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